terça-feira, 31 de julho de 2012

Sete países componentes da CITES são proibidos pela ONU de comercializar espécies selvagens


Em reunião na Suíça, na quinta-feira (26-07), representantes dos 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiram que sete países componentes da mesma devem perder o direito de negociar qualquer uma das 35 mil espécies selvagens (5 mil espécies de animais e 25 mil de vegetais), cuja comercialização é regulamentada pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES). As sanções foram impostas para penalizar os Estados pela falta de regulamentação rigorosa e por deixar de relatar seu comércio nessa área, conforme os termos da CITES.
Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas
Durante os anos 60, a maciça exploração da vida silvestre consumada pelo comércio internacional começou a gerar preocupação no cenário político mundial. Na tentativa de combater o problema crescente, numa reunião convocada pela União Internacional de Conservação da Natureza - IUCN durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano realizada em Estocolmo, em Junho de 1972 foi elaborada a CITES. Também conhecido por Convenção de Washington, o texto final da Convenção foi aprovado em na cidade de Washington o dia 3 de Março de 1973 num encontro que congregou 80 países. A os termos entraram em vigor no dia 1 de Julho de 1975 contando atualmente com mais de 175 Estado-Partes, incluindo o Brasil, que o ratificou em novembro de 1975. Abrange cerca de 35.000 espécies da fauna e flora selvagens e, desde a sua adoção, não houve notificação de extinção decorrente do comércio internacional de qualquer das espécies incluídas.
Algumas orquídeas estão protegidas pela Convenção
A CITES é um tratado internacional coercitivo, para regulamentar o comércio de animais selvagens e plantas, a fim de proteger espécies ameaçadas de extinção. Nesse acordo multilateral, um país pode propor regulamentação ambiental a outros – sem ofender o conceito de soberania (ONU, 1993). O controle e fiscalização ocorrem sobre o comércio internacional de fauna e flora silvestres especialmente espécies ameaçadas, suas partes e derivados. Cabe à convenção monitorar e deter o comércio internacional das espécies em perigo de extinção, manter as espécies que se encontram sob exploração comercial num equilíbrio ecológico e dar assistência aos países no sentido de que eles possam atingir o uso sustentável das espécies através do comércio internacional.
Ovos de araras e papagaios são a principal 
irregularidade detectadas pelas CITES
As espécies listadas sob proteção da CITES encontram-se em três apêndices:
Apêndice I – as ameaçadas de extinção: banidas do comércio internacional, exceto para conservação científica;
Apêndice II – as que estão à beira de se tornarem extintas. O comércio só é permitido enquanto não ameaçar sua sobrevivência contínua, sendo controlado através de licenças especiais. É nessa categoria que está a grande maioria das espécies;
Apêndice III – protegidas em pelo menos um país, que pede a ajuda da Convenção para que outros países colaborem na conservação.
A Aloe, famosa família de plantas da África, (a Aloe vera é a mais famosa) tem sete espécies protegidas no catálogo
Cada Estado membro está comprometido a seguir uma legislação nacional própria que permita a indicação oficial da Autoridade de Aplicação que é o órgão responsável pela emissão das autorizações e dos certificados, com base numa assessoria de uma Autoridade Científica designada. Essas autoridades nacionais em parceria também contribuem para o cumprimento do tratado mediante a sua atuação nas alfândegas, nas polícias e nos órgãos correspondentes. As Partes devem manter um registro do comércio - o qual precisa ser enviado anualmente para a Secretaria da Convenção de Washington.
Diante dos regimentos da convenção, as delegações dos países representantes da ONU no encontro de Genebra (Suíça), ocorrido na semana passada, basearam as suspensões comerciais para Comores, Paraguai e Ruanda por sua carência de leis nacionais para regular o comércio de espécies selvagens. Também aprovaram suspensões contra a Guiné-Bissau, Nepal, Ilhas Salomão e Síria, com suporte na sua incapacidade de comunicar adequadamente o que estão fazendo para regular o comércio de espécies selvagens, como eles deveriam fazer segundo os termos do tratado Cites. Guiné-Bissau e Ruanda foram punidas pelos dois motivos.
O abate ilegal de elefantes e o comércio do marfim são debatidos prioridade pelo tratado
Para evitar as sanções, e a perspectiva de perder milhões de dólares oriundos do comércio internacional de animais (segundo estimativa da própria CITES, o comércio regulamentado de espécies selvagens movimenta mais de US$ 350 milhões por ano), os sete países acusados devem elaborar uma legislação de acordo com a necessária ou apresentar os seus relatórios anuais de comércio até 1º de outubro, data em que tais sanções devem entrar em vigor.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Apenas agentes polinizadores? Não: “agentes da biodiversidade”!



A perpetuação de certas espécies depende da polinização
A polinização é um serviço ecológico fundamental, que ocorre com a participação de agentes variados como vento, água e principalmente animais incluindo insetos tais como abelhas, borboletas, mariposas, moscas, besouros e também morcegos, pássaros além de outros vertebrados.
E é quando se fala em animais como agentes polinizadores, que a biodiversidade torna-se fator crucial para eventos de polinização bem sucedidos. A diversidade de plantas silvestres e a variabilidade de plantas cultivadas dependem da diversidade de polinizadores. Quando há uma queda no número de polinizadores, a reprodução de boa parte das plantas é diretamente afetada, refletindo na sustentabilidade da agricultura, já que existe a estimativa é de que 3/4 das plantas agrícolas que alimentam o mundo e muitas plantas utilizadas para a indústria farmacêutica dependem da polinização por insetos ou outros animais para produzir frutos e sementes (ASCOM MMA).
Elaeidobius kamerunicus
Um exemplo da influência do polinizador na produção está num estudo de caso que a aponta presença do inseto Elaeidobius kamerunicus, polinizador da cultura do dendê, como responsável por aumentar a produtividade da cultura em torno de 11%.
Em diversas partes do mundo, a produção agrícola e a diversidade de agro-ecossistemas são ameaçadas pelos declínios das populações de polinizadores. Na América do Norte, onde o desaparecimento de abelhas (polinizadores mais manejados para sustentar o agronegócio) tem sido de 30% das colônias por ano, a agricultura já recorre à importação desses insetos para promover a polinização na agricultura. Na Comunidade Europeia, a perda também é expressiva e preocupante.
Abelhas polinizando meloeiro no semiárido
Algumas plantas recebem visitas de muitos polinizadores diferentes, enquanto outras têm exigências específicas. O mesmo acontece para os polinizadores; com representantes bastante generalistas e outros altamente especializados. Portanto, os riscos de perda dos serviços de polinização são especialmente graves quando a agricultura é dependente de uma só espécie de polinizador, nesses casos, o sumiço de um agente é capaz de desencadear um sério colapso na produção.
Diante das importantes consequências tanto para a biodiversidade como para o agronegócio, a polinização já é considerada um "serviço ambiental relevante" e merece atenção em projetos de manejo agrícola ou nas ações conservacionistas. Trabalhos recentes indicam tanto seu valor econômico, estimado em vários bilhões de dólares no nível global, quanto a existência de um processo global de declínio dos polinizadores. Várias espécies de polinizadores estão cada dia mais ameaçadas pela perda do habitat (desmatamento, queimadas), pela exposição excessiva a pesticida, pelos os parasitos e doenças, pela a introdução de espécies exóticas e até mesmo pelos cheiros gerados pela poluição (uma série de evidências sugere que o aroma das flores pode ser vital no trabalho de insetos polinizadores).

O pólen cai sobre o corpo do polinizador e chega ao estigma de outras flores enquanto o animal busca por alimento ou abrigo. Foto: http://www-honey.com/bee-pollen-benefits/
No Brasil, a relação entre o uso de produtos químicos nas lavouras e o desaparecimento de insetos começou a ser identificada há pouco mais de quatro anos. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em 2012, avaliou alguns registros sobre a redução do número de abelhas - grupo mais importante de polinizadores, com mais de 25.000 espécies diferentes - em várias partes do país, em decorrência de quatro tipos de agrotóxico, e decidiu restringir o uso de importantes inseticidas na agropecuária brasileira, principalmente para as culturas de algodão, soja e trigo.
Glossophaga soricina em Passiflora mucronata
 É interessante lembrar às autoridades que a polinização envolve relações complexas entre planta e animal e a redução ou perda de qualquer um dos dois afetará a sobrevivência de ambos com consequências que não ficarão restritas aos problemas ecológicos. O deficit de agentes polinizadores nos ecossistemas gera em baixa na produtividade e na qualidade de produtos agrícolas, o que em longo prazo pode desencadear uma crise na produção de alimentos. Dessa forma é mais do que urgente o desenvolvimento de projetos sérios de manejo que possam preservar a relação espécie vegetal/polinizador incentivando o uso sustentável e restauração da diversidade de polinizadores tanto de plantas silvestres quanto das cultivadas.


DICA DE LEITURA:Polinizadores no Brasil – Contribuição e perspectivas para a biodiversidade, uso sustentável, conservação e serviços ambientais”, lançado nesta quinta-feira (26-07), durante o 10º Encontro sobre Abelhas de Ribeirão Preto, na cidade do interior paulista.
O livro apresenta os resultados das pesquisas realizadas pelos autores e tem o objetivo de formular uma política pública para polinizadores. Temas como a importância da paisagem agrícola na manutenção dos serviços dos polinizadores e a necessidade de aumentar o número de coleções biológicas para o estudo da fauna de abelhas são alguns dos destaques do texto. A obra aborda ainda espécies invasoras e o efeito das ações antrópicas sobre a conservação e uso dos polinizadores.

DICA DE VÍDEO: vale a pena conferir “The beauty of pollination”


domingo, 29 de julho de 2012

Adoção de cães já é possível via book disponível na rede


Em Piracicaba (SP), voluntárias de uma organização não governamental (ONG) tiveram a ideia de montar um book fotográfico com cães abandonados, esse material já está disponível na internet para promover a adoção à distância dos animais, sendo o apadrinhamento uma possibilidade interessante para quem não pode ter um mascote em casa. O sucesso da iniciativa foi comemorado na sexta-feira (27-07) pelas mentoras do projeto, que já listaram mais de 200 cachorros à espera de cuidados.
Para conhecer detalhes sobre o projeto e obter informações de como proceder no caso de adoção/apadrinhamento recomendamos o texto ONG de Piracicaba cria book de fotos de cachorros para adoção à distância.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sustentabilidade: não é modismo, é uma necessidade!

Camisa de tecido PET
A grande novidade da reciclagem é o Tecido Reciclado Pet. Eu já havia escutado alguma coisa sobre o assunto, mas confesso que não me empolguei, porque na minha visão, o tecido a partir daquelas garrafas no mínimo seria desconfortável e quente!
No entanto, me surpreendi quando num stand do Congresso Nacional de Genética de 2011 (Águas de Lindóia – SP), tive a oportunidade de ver e tocar peças fabricadas a partir do poliéster de PET. E inacreditavelmente o tecido é de ótima qualidade! O toque é bem mais leve e macio do que o algodão e as cores são bem diferentes, em tons de algodão feito em lavagem stone, ou seja, com aparência desgastada. Com certeza aprovei!

 “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” (Antoine Lavoisier)

O pet é o melhor e mais resistente plástico para a fabricação de garrafas e embalagens, por isso tem sido considerado ideal para a indústria de bebidas do mundo todo.  Porém, as garrafas podem permanecer na natureza por mais de 450 anos!!!
Para termos uma idéia, o plástico tipo PET foi inventado nos anos 70, logo todas as garrafas produzidas no mundo ainda estão no meio ambiente. Só em 2006 o Brasil consumiu 378 mil toneladas de plástico PET, que estariam nos oceanos e aterros até hoje.
Mas calma... não precisamos ser drásticos e cessar o consumo desse material, no entanto é fundamental reciclarmos essas garrafas a fim de amenizar os impactos ambientais.  Nesse sentido, a coleta e a reciclagem da embalagem PET tem sido incentivada cada vez mais, permitindo o uso da material para a fabricação de diversos produtos.
O uso do PET na reciclagem é variado e pode-se fazer muita coisa a partir dessa matéria-prima. Geralmente o destino mais comum dado esse plático é o uso em trabalhos de artesanato, como certos brinquedos (jogo de boliche, vai-e-vem), árvores de natal, puffs, vassouras, etc. Mas também é possível transformar o PET em fibra de poliéster (uma garrafa PET é 100% composta de poliéster reciclável, uma resina termoplástica de alta resistência). Essas fibras estão sendo largamente utilizadas na indústria têxtil e nas confecções, inclusive já ganharam espaço nas semanas de moda em todo o mundo.
Outro fator positivo da iniciativa é que não só é possível reduzir o descarte do PET no meio ambiente, como também se deixa de usar outros materiais que consomem recursos naturais, como o algodão.
No Brasil, graças ao grande número de catadores, 55,8% do total de pets consumidas são recicladas e calcula-se que cerca de 200 mil famílias estejam vivendo da captação de recicláveis (dado da pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008 – 2010, do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e estatística).

Mas como é feita a fabricação de malhas de PET?
Catadores com fardos de garrafas PET
Apesar de parecer novidade, o tecido produzido a partir das embalagens PET é o mesmo das roupas comuns de poliéster. A grande diferença é que em vez de utilizar o Tereftalato de Etileno virgem, a indústria recicla o plástico das garrafas e o transforma em fibras de poliéster.
Depois de pronta essa fibra poderá ser tecida junto com algodão e virar matéria-prima para roupas, bolsas, enchimentos de travesseiros, roupas de cama, tapetes, carpetes para linha automotiva e residencial ou ainda ser utilizada em sua forma bruta na confecção de banners, sacolas, embalagens etc.
Tudo começa quando as garrafas Pet, recolhidas por catadores, tem as tampas e rótulos separados e são enviadas em fardos para a reciclagem onde passam por um processo de seleção, lavagem (descontaminação), moagem e secagem, gerando um produto chamado Flake.
Garrafas já trituras, os chamados “Flakes”
Na segunda fase, é feita a fusão a uma temperatura de 300 graus, filtragem e retirada de impurezas. Na fábrica onde é feita a fibra, repete-se o processo de fusão a 300 graus e o material é passado por equipamentos que o separam em filamentos. O resultado é uma fibra cerca de 20% mais fina que o algodão.
Fibras de poliéster PET
A terceira e última fase é a da estiragem, quando a fibra é finalmente transformada em fio. Por fim, as fibras são embaladas em fardos estão prontas para suas diversas aplicações.
Esse processo não gera resíduos químicos que agridem ao meio ambiente, as cores originais das garrafas são aproveitadas, como o cru, utilizando garrafas transparentes, e o verde, utilizando garrafas dessa mesma cor.
São necessárias 25 garrafas de 2 litros para fabricação de 1kg de fio, o que equivale a aproximadamente 6 garrafas PET a menos na natureza por metro corrido de tecido.
Então a dica é: vale a pena sim investir em peças que além de saudáveis para o ambiente e a economia, também são muito bonitas e confortáveis!
Já existem uniformes esportivos à base de PET
O tecido PET integra o conceito de gerenciamento inteligente do lixo: redução, reciclagem e reutilização, o que o torna um produto ambientalmente saudável. Os benefícios ocasionados pela sua reciclagem são consideráveis. Menos poluição no ar, na água e no solo, economia de energia elétrica e matérias-primas, melhora do aspecto das cidades, gera de empregos e renda o que, consequentemente, potencializa a economia, aumenta a qualidade de vida e a satisfação das pessoas.

Leia mais!!! Nike apresenta uniformes para o Mundial feitos de garrafas PET

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Não deixe o óleo vegetal pesar na sua consciência!!!

Você acha que o óleo vegetal depois de usado não tem mais utilidade? Não sabe como descartá-lo e acaba juntando potes de óleo usado ou até mesmo jogando no ralo e poluindo os cursos d’água? Pois saiba que ele pode virar um ótimo combustível para o seu carro ou ser usado na fabricação de sabões e ração para animais.

Dentre os materiais que representam riscos de poluição ambiental e, por isso, merecem atenção especial, figuram os óleos vegetais usados em processos de fritura.
Para se ter uma idéia, a fritura é um processo que utiliza óleos ou gorduras vegetais como meio de transferência de calor, cuja importância é indiscutível para a produção de alimentos. O tempo de utilização do óleo varia de um estabelecimento para outro, principalmente pela falta de legislação que determine a troca do óleo usado. Por essa razão, considerando a grande diversidade de estabelecimentos que utilizam esse material, é difícil fazer um levantamento preciso da disponibilidade desse resíduo em grandes centros urbanos. 
Um levantamento primário da oferta de óleos residuais de frituras, suscetíveis de serem coletados, revela um potencial de oferta no país superior a 30 mil toneladas por ano. Algumas possíveis fontes dos óleos e gorduras residuais são: lanchonetes e cozinhas industriais, indústrias onde ocorre a fritura de produtos alimentícios, os esgotos municipais onde a nata sobrenadante é rica em matéria graxa, águas residuais de processos de indústrias alimentícias.
De um modo geral, o aproveitamento integrado de resíduos gerados na indústria alimentícia pode evitar o encaminhamento destes para aterros sanitários, permitindo o estabelecimento de novas alternativas empresariais e minimizando o impacto ambiental do acúmulo destes resíduos.
Nossa proposta aqui é discutir a uso do óleo residual de fritura como fonte de matéria prima para obtenção de biodiesel, detergentes ou mesmo ração animal, ressaltando seus benéficos ambientais e econômicos.

Por que devemos nos preocupar???

Estima-se que cada litro de óleo despejado no esgoto urbano tem potencial para poluir cerca de um milhão de litros de água, o que equivale à quantidade que uma pessoa consome ao longo de quatorze anos de vida.
A pequena solubilidade dos óleos vegetais na água configura um fator negativo no que se refere à sua degradação em unidades de tratamento de despejos por processos biológicos e, quando presentes em mananciais utilizados para abastecimento público, causam problemas no tratamento da água. Sem falar que o acúmulo de gorduras nos encanamentos pode causar entupimentos, refluxo de esgoto e até rompimentos nas redes de coleta. Outro ponto negativo é que esse óleo também impermeabiliza o solo e assim contribui para o agravamento de enchentes. 
A presença deste material, além de acarretar problemas estéticos à paisagem, diminui a área de contato entre a superfície da água e o ar atmosférico impedindo a transferência do oxigênio da atmosfera para a água. Além disso, óleos e graxas em seu processo de decomposição, reduzem o oxigênio dissolvido elevando a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio - quantidade de oxigênio consumido durante um determinado período de tempo, numa temperatura de incubação específica), causando alteração no ecossistema aquático. Um baixo teor de oxigênio dissolvido nas águas é fatal para um ecossistema com um todo.

Legislação brasilleira

Apesar de não haver, ainda, uma legislação específica para descarte de óleos, consta no decreto federal nº 3179, de 21 de setembro de 1999, artigo 41, parágrafo 1°, inciso V, a aplicação de multas de até R$ 50 milhões "a quem causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora, através do lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos ou detritos, óleos ou substâncias oleosas em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos".

Da cozinha para a estrada...

Cerca de 40% de toda a energia consumida no mundo provém do petróleo, do carvão e do gás natural. Essas fontes são limitadas e com previsão de esgotamento no futuro, portanto, a busca por fontes alternativas de energia é de suma importância.
É aí que os biocombustíveis assumem papel considerável, sobretudo o biodisel, um biocombustível 100% renovável e alternativo ao diesel derivado do petróleo. Ele pode ser usado em qualquer motor diesel sem alterações na parte mecânica, não havendo perda de potência nem rendimento do veículo. Neste contexto, os óleos vegetais aparecem como uma excelente alternativa para substituição ao óleo diesel em motores de ignição por compressão.
O óleo, depois de usado, torna-se um resíduo indesejado e sua reciclagem como biocombustível não só retiraria do meio ambiente um poluente, mas também permitiria a geração de uma fonte alternativa de energia, reduzindo a dependência de importação de petróleo. Assim, duas necessidades básicas seriam atendidas de uma só vez.

Ainda há outra vantagem em fabricar o biodiesel a partir de óleo vegetal usado, o combustível possui características lubrificantes, polui menos (já que não leva ácido sulfúrico) e não contribui para agravar o efeito estufa e o aumento da temperatura do planeta.
A implantação deste combustível na matriz energética brasileira resultaria em um impacto ambiental positivo já que, além de dar um destino adequado aos óleos residuais, sua utilização na frota de veículos reduziria drasticamente a emissão de gases poluentes, como o dióxido de carbono, responsável pelo efeito estufa, além de eliminar completamente o enxofre, um dos principais vilões da chuva ácida.
Com relação ao rendimento da reação que origina o biodisel, pode-se dizer que 100 kg de óleo reagem com 10 kg de álcool gerando 100 kg de biodiesel e 10 kg de glicerina, esta ainda pode ser aproveitada na fabricação de sabões.

Resíduo é transformado em material de limpeza!    

Uma boa opção para reaproveitar o óleo usado é transformá-lo em sabão, aliás, essa atividade pode ser feita em casa e ainda gerar uma renda extra para a família. Mas o material também pode ser enviado a empresas que o transformam em produto de limpeza.
O sabão produzido com essa matéria prima tem a vantagem de ser biodegradável, que se decompõe por bactérias depois de usado. Além de ser ecológico, já que evita que o óleo chegue aos cursos d’dágua e desencadeie todos os danos já discutidos.
Para quem gostou da ideia de fabricar o sabão em casa, abaixo segue uma receita simples. Apenas recomendamos cuidado ao manusear a soda cáustica!

Sabão caseiro:   
1.     Peneire o óleo para retirar os resíduos e impurezas;
2.    Aqueça o óleo sem deixar ferver;
3.    Use luvas e adicione soda cáustica (350ml para cada litro de óleo);
4.    Para dar perfume ao sabão, adicione 1ml de aromatizante ou amaciante.
5.    Mexa lentamente durante 20minutos;
6.    Deixe descansar por um dia se for cortar em barras;
7.    Após uma semana o sabão está pronto para ser usado.

Ração para animais

Depois de usar sobras de óleo de cozinha como componente para a fabricação de biodiesel e também de sabão, agora técnicos da Universidade Federal de Lavras (UFLA) usam o material que é descartado para alimentar o gado.
O teste está sendo feito na fábrica de ração da universidade. O óleo é misturado ao alimento que é consumido pelo gado, conferindo ao produto uma cor mais forte. Um aspecto importante é que o preço da ração caiu cerca de 10%. 

Segundo pesquisadores, a substituição da ração não alterou o ganho de peso dos bois, que são da raça Red Norte. Como seguimento do projeto, os animais alimentados com a ração especial passam por análises que determinam os níveis de colesterol, a maciez e a coloração da carne dos animais tratados com a ração misturada ao óleo de fritura.

Conclusão   

Depois dessa reflexão, fica a ideia de que vale a pena reutilizar o óleo descartado de frituras para a obtenção de outros produtos. Dessa forma, é dado um destino mais adequado a este resíduo agroindustrial que, no Brasil, é desprezado e/ou parcialmente aproveitado de maneira muitas vezes inadequada.
Além da inegável vantagem ecológica da iniciativa, o aspecto econômico certamente deve ser visto de forma ampla, não só pelo valor do biodiesel, sabão ou ração produzidos, mas pelos valores agregados como criação de empregos, redução de despejos no ambiente e melhoria de qualidade de vida e do ar, com paralela geração de divisas para o país.

sábado, 27 de agosto de 2011

Pesquisadores do Observatório nacional do RJ descobriram o que pode ser o maior rio subterrânio do mundo

        O Rio Amazonas já merece destaque por ser o maior rio do mundo em volume de água e recentemente foi descoberto sob sua área um rio subterrâneo, provisoriamente denominado Hamza.
        O achado ocorreu por acaso, graças a escavações de poços de grande profundidade, feitos pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980 em busca de petróleo.
       Para saber mais sobre nosso rio subterrâneo, acesse o link abaixo e boa leitura!

Rio subterrâneo no estado do Amazonas

sábado, 9 de julho de 2011

Como é a profissão de um cientista?

E aí galera, tudo bem?
Depois de um tempo ausentes daqui, voltamos com uma dica de leitura.

A revista Veja publicou nessa semana um pequeno texto falando sobre a vida profissional de um pesquisador. Não é raro surgirem dúvidas a esse respeito, tanto por parte de pessoas que ainda buscam um curso pra prestar vestibular, como por graduandos que ainda estão meio perdidos no curso.  Cliquem no link a seguir e conheçam o ponto de vista da recém-doutora  Natassia Vieira sobre essa profissão tão interessante, porém ainda pouco conhecida. Boa leitura!
Como é a profissão de um cientista?